Domingo de Ramos da Paixão do Senhor - Ano A

(Comentário do primeiro evangelho e homilia)
Comemoração da
Entrada do Senhor em Jerusalém

Mt 21, 1-11

"Quem é este homem?"

“Quem é este homem?” Perguntaram aqueles que viram Jesus entrando em Jerusalém sendo aclamado pelo povo. “Quem é este homem?” que até hoje também questiona, interroga, chama, conquista e causa tanta admiração. “Quem é este homem?” por quem tantos são perseguidos, alguns são rejeitados? “Quem é este homem?” que nos fez sair de casa, palma em mãos, para caminhar o aclamando?

Sabemos que é Jesus. Sabemos que é nosso Deus que veio até nós. Sabemos. Mas quem é ele realmente para nós, hoje? O que ele muda verdadeiramente em nossa vida, hoje?

Hoje, somos nós essa “cidade que se agita” e, perguntando-nos “quem é este homem, Jesus?”, podemos também nos perguntar: quem somos nós? Quem é você? O que viemos fazer aqui hoje? O que você veio buscar aqui hoje?

O que viemos buscar? Um ramo, para enfeitar a nossa casa? Ou para proteger o nosso lar? Ou para espantar o mau-olhado? Se foi para isso, você pode ir embora. Porque não é isso que esses ramos significam.

Fique somente se você veio para acompanhar Jesus em sua paixão, morte e ressurreição.

Esses ramos significam o início da nossa caminhada nesta “Semana Maior” que começa hoje. Esses ramos, que vamos agitar para o céu, significam o início desta caminhada que nos levará até à ressurreição; caminhada de Jesus de dor, de traições, de julgamentos — assim como pode ser a nossa própria caminhada.

Caminhada de Jesus que é sobretudo caminhada de esperança, de fé, de caridade e vitória da vida. Assim como somos chamados a viver em nossa própria caminhada.

Então fique, fiquemos e caminhemos. Agitando nossos ramos. Louvando e cantando, mas por amor, para acompanhar aquele que nos amou primeiro: Jesus Cristo.

E vivendo esta procissão e a missa que vai seguir, quando chegarmos em casa, este ramo que você carrega não será sinal de “proteção mágica”, mas sinal de que naquela casa vive um discípulo de Jesus, que caminha com Ele, confia nele e faz dele seu fundamento e seu amigo.

Então caminhemos, meus irmãos e minhas irmãs. Mas antes, façamos silêncio e perguntemo-nos:

Quem é este homem por quem estou aqui?
E quem sou eu diante dele?

Que a caminhada exterior que vamos viver faça “caminhar” nosso coração, para que sejamos verdadeiros discípulos, testemunhas de esperança, de fé, de fraternidade e de caridade.

Assim, “meus irmãos e minhas irmãs, imitando o povo que aclamou Jesus, comecemos com alegria a nossa procissão.”


Homilia

Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Fl 2, 6-11; Mt 27, 14–27,66

Terminada a Quaresma, nosso itinerário nos traz até aqui. Muitos de nós acompanhamos, domingo após domingo, o que a liturgia nos propunha e como cada encontro e situação do Evangelho fazia eco à nossa vida cotidiana. Atravessamos o deserto, subimos a montanha da transfiguração, testemunhamos a mudança de vida da samaritana e a ressurreição de Lázaro.

Cada uma dessas etapas nos trouxe até aqui, hoje: ramo em mãos, aclamações nos lábios, numa certa alegria já misturada com uma certa gravidade.

A entrada triunfal de Jesus é seguida pelo anúncio de sua Paixão e Morte. Aquele de quem perguntamos “quem é este homem?” revela, de maneira ainda mais forte, que Ele é Deus feito homem para encontrar e elevar a nossa humanidade a Ele.

Humanidade nossa que se desdobra em cada cena do anúncio da Paixão. Humanidade que se revela com tudo o que ela pode ter de grandioso, mas também de frágil e vulnerável.

Enquanto Jesus mostra-se decidido, obediente e desejoso do amor daqueles que o seguem, sabendo qual é o sentido profundo do seu gesto de entrega, aqueles que ali estão são confrontados aos seus medos, frustrações, ganâncias e egoísmos, e se deixam vencer por eles.

Tudo o que vamos atravessar nesta Semana nos revela o profundo amor de Deus por nós, mas também o quanto somos frágeis e o quanto a nossa humanidade precisa se deixar transformar pelo Cristo.

Poderíamos nos manter distantes de tudo o que nos foi proclamado hoje, vendo tudo isso somente como uma lembrança de algo que aconteceu. Mas, se nos olhamos com sinceridade, quantas vezes somos parecidos com aqueles que ali estavam com Jesus.

Quantas vezes já não fomos traidores como Judas; medrosos como Pedro; gananciosos como as autoridades religiosas; frouxos como Pilatos? Diante daquilo que valia a pena, que nos puxava para a vida?

Quantas vezes esquecemos que somos a razão pela qual Jesus atravessou a Paixão e a Morte, não para nos tornar cristãos tristes nem nos sentir pessoas indignas, mas para saber que o Cristo deu sua vida por cada um de nós; e isso deve ser para cada um a possibilidade de renovar as forças, recriar ânimo, porque o gesto de Jesus de profunda entrega deve ser para nós aquilo que nos permite entender que nossa vida só tem sentido com Ele.

E seja o que for que atravessemos — medo, dor, frustração, angústia — atravessamos com Ele.
E Ele nos mostrou que o que vence, no final, é a vida.

Assim, meus irmãos e minhas irmãs, “quem é este homem” que viemos acompanhar e celebrar hoje? Sabemos que é o Filho de Deus, que é Deus. Mas o que isso muda na nossa humanidade própria? Em nossa vida? Como voltaremos para casa?

Faço-vos um convite: que esta Semana Santa não seja somente um apanhado de celebrações, mas que seja realmente um caminho na descoberta deste Jesus.

Que cada um volte cada dia, em cada celebração, para viver profundamente este período com fé, esperança e caridade, para que a nossa humanidade se deixe transformar por Aquele que nos amou até o fim.

E que, juntos, possamos proclamar na noite santa da Ressurreição:

"Ele é mesmo Filho de Deus", aquele que muda a nossa vida.

Partager cet article
Repost0
Pour être informé des derniers articles, inscrivez vous :