PARA NÃO ACABAR TÃO CEDO

Você já viveu algo e quis, por um instante, que o tempo parasse? E nesse momento é como se o tempo dissesse: "não. Eu não paro. Minha essência é ser passageiro." É o que sentimos ao ler "Para não acabar tão cedo", primeiro romance de Clarice Freire.

Acompanhamos 2 irmãs, Lia e Guta. Seus sonhos, suas memórias, suas fragilidades e desafios naquilo que é ao mesmo tempo essencial e contigente, na vida.

O tempo aqui é personagem-narrador e mostra que ele é passageiro porque passa e não volta, mas pega também carona na vida dessas duas mulheres.

Clarice Freire nos entrega uma narrativa em prosa, porém com muita poesia. Lia e Guta, irmãs inseparáveis, nos são mostradas com humanidade, fragilidade e ao mesmo tempo com muita força, coragem e vontade de viver. Nessa viagem que fazemos com as duas irmãs, toda uma vida é rememorada, celebrada, (re)vivida e reconectada, até que cada uma redescobre a importância da outra. 

E se o texto é bonito, e a narração contemplativa do tempo, poética, há duas coisas que me deixaram com uma certa reserva: a cena inicial, daquilo que é visto no espelho - não tive a sensação de uma explicação clara; e alguns diálogos entre Lia e Guta que são um pouco longos. Mas nada que faça perder a beleza da obra.

Para não acabar tão cedo tem todas as qualidades de um livro que poderia ser adaptado ao teatro.

Ah, e o Tempo agora, para mim, tem um lindo sotaque, e ele é recifense.

Autora: Clarice FREIRE. Ed. Record. 2024. 211p.

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