31 Mars 2026
/image%2F2381903%2F20260331%2Fob_a1b25b_copia-de-advento-blog-11.png)
Is 49, 1-6 | Sl 70 (71) | Jo 13, 21-33.36-38
Continuamos seguindo os passos de Jesus que o levará até à sua Paixão e Morte. Mas não podemos fazê-lo sem ter nosso olhar e o nosso coração fixos na esperança de sua ressurreição. Tudo o que contemplamos nesses dias santos não tem sentido sem essa verdade: a vida vencerá, a vida vence, a vida venceu.
Se ontem, contemplamos no Evangelho a força silenciosa do amor correspondido na amizade entre Jesus e a família de Lázaro, com o gesto de Maria que anunciava o sepultamento de Jesus; hoje, somos colocados diante da realidade da escolha, da decisão e do comprometimento. O desenrolar da história chega aos poucos ao seu ápice. E no meio da narrativa que nos é entregue hoje, há uma expressão que faz uma ponte entre o real do que está acontecendo ali e o que se vive interiormente. Estou falando da expressão “era noite”. “Era noite”, cronologicamente na realidade daquilo que estava acontecendo. Mas “era noite” também na existência daqueles que ali estavam.
“Era noite” para Jesus, que entrava em sua Paixão. Noite para Pedro, que embora tenha tido o firme propósito de dar a vida por Cristo, ouviu dele o anúncio de sua negação. E noite para Judas, que havia decidido trair seu próprio mestre e amigo. E cada um atravessa de maneira diferente “a noite” à qual é confrontado.
Jesus sabe qual é a sua missão, e aceita com coragem. Ele é o nosso salvador e nada pode parar o seu amor. Pedro, embora descubra sua fragilidade, entra na esperança porque descobre também que o amor do seu Senhor o permite se levantar. E Judas, não se deixa tocar por este amor, só a ganância tem espaço no seu coração.
Nossa vida é permeada por essas noites existenciais, nas quais parece que perdemos o sentido, que não temos mais a força necessária para avançar. E é aí que está o coração da questão: o que nos sustenta quando atravessamos “as noites” da nossa vida e como as atravessamos? No fundo, o que nos é dado aqui, neste evangelho, é a realidade humana da livre escolha. Diante do projeto de Deus, o que escolhemos?
Não tenhamos medo da noite. Tenhamos medo de não atravessá-las com o Cristo. Não tenhamos medo da noite. Tenhamos medo de não sermos suficientemente conscientes da necessidade que temos do seu Amor. Não tenhamos medo da noite. Tenhamos medo de não saber acolher nossas fragilidades com esperança, pois embora o Cristo reconheça que podemos negá-lo, Ele também sabe que somos capazes de amá-lo. Assim, somos chamados, como discípulos, a permanecermos fiéis, deixando-nos iluminar pela esperança e “pelo amor que brotam da ressurreição” pela qual nenhuma noite é definitiva.