1 Avril 2026
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Is 50, 4-9; Sl 68 (69); Mt 26, 14-25
Continuamos a acompanhar Jesus nos momentos que antecedem a sua Paixão. Pouco a pouco vemos as coisas acontecerem, a tensão sobe, o drama se intensifica. Passamos do gesto de Maria, que unge os pés de Jesus, ao personagem misterioso de Judas Iscariotes. Muitas vezes nos perguntamos: será que ele poderia não ter entregado Jesus? Sabia realmente a consequência ligada ao seu gesto? Tantas perguntas que permanecem sem resposta.
Mas o evangelho de hoje evidencia a decisão de Judas. Decisão que não é fruto de um momento, mas da soma de tantas pequenas decisões que tomou. Sabemos que ele não era honesto e maquiava sua desonestidade com uma falsa caridade.
Para ele, trata-se de uma troca: ele entrega Jesus, e recebe sua recompensa. Mas o que tem a ganhar com isso? O que talvez não soubesse é que também iria perder. Ele ganhou 30 moedas de prata, uma soma irrisória, o preço de um escravo. Mas o preço real que pagou foi o da traição.
Judas é um dos discípulos. Sabemos bem que recebeu os mesmos ensinamentos e testemunhou das mesmas ações de Jesus. E o que Judas não compreendeu daquilo que viveu com seu Mestre? Ele não entendeu que só um coração capaz de acolher, pode verdadeiramente amar.
E ele, Judas, não soube acolher. Ele não se deixou tocar pelo amor de Jesus por seus amigos. Jesus era seu amigo, mas Judas permaneceu de fora, observando e julgando os gestos, como fez quando Maria perfumou os pés de Jesus. Judas ficou no superficial e não teve a coragem de mergulhar na relação.
Até o fim, Jesus foi seu amigo. Até o fim, Ele o amou.
“Em verdade vos digo: um de vós vai me trair.”
Como se dissesse: não precisarás carregar sozinho o peso de dizer isso aos teus amigos, eu o faço por ti. E quis partilhar sua última refeição com ele. Mesmo sabendo que iria traí-lo, Jesus não recusou seu olhar a Judas.
Pois, como nos diz São João:
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”
Mas Judas prefere desviar o olhar, e romper a relação.
Amar verdadeiramente, porém, não é reter a qualquer custo. Amar também é, por vezes, deixar ir.
Jesus não impede Judas, não o força a permanecer, não o constrange. Ele respeita sua liberdade até o fim. Há um amor que sabe permanecer, mas há também um amor que sabe deixar partir.
Porque o verdadeiro amor não prende, não controla, não domina. Ele confia.
E quando alguém faz a experiência profunda de ser amado, mesmo que se afaste, sabe encontrar o caminho de volta. Quem sabe que é amado, sabe voltar.
Judas, porém, não soube voltar. Não porque não fosse amado, mas porque não se deixou tocar por esse amor. Permaneceu fechado, incapaz de acolher a misericórdia que ainda lhe era oferecida.
Em nossa vida, também vivemos momentos em que relações foram rompidas. Em que nos sentimos traídos ou rejeitados. Incompreendidos. Ou momentos em que nós mesmos traímos a confiança de alguém. O próprio Jesus viveu essa realidade inerente às relações humanas.
Talvez Judas não tenha tido a possibilidade de mudar sua atitude, mas nós temos. E podemos fazê-lo na medida em que mergulhamos nessa relação com Cristo e nos deixamos olhar profundamente e sem reservas por Ele.
Seguindo Jesus no caminho de sua Paixão, entendemos que só a experiência de ser amado verdadeiramente nos permite amar e permanecer.