SEGUNDA-FEIRA — Ano A

Is 42, 1-7 | Sl 26 | Jo 12, 1-11

Muito provavelmente o jantar aqui oferecido era para celebrar o acontecimento da ressurreição de Lázaro. Mas, neste aparentemente clima de festa e celebração, as coisas se aceleram. Surge uma verdadeira tensão entre aquilo que está diante de todos — a realidade vivida — e aquilo que está por vir, cujo cada gesto já se torna anúncio.

Marta servia. Lázaro estava à mesa. Os discípulos participavam. Tudo parece tranquilo… até que o gesto silencioso de Maria traz à tona uma nova realidade: o amor que se derrama sem contar, silencioso e eficaz, que se espalha e pode ser acolhido — ou não.

Jesus acolhe.
Judas rejeita.

Maria é a primeira pessoa no Evangelho que faz algo por Jesus, sem que Ele nada tenha pedido. O gesto é gratuito. Sabemos que antecipa o sepultamento de Jesus. Mas este gesto não diz respeito apenas à sua Paixão e Morte — ele também nos diz respeito.

Impulsionada talvez pela gratidão de ter recebido o irmão de volta, Maria realiza um gesto que nos provoca e nos desloca. Ele revela que só o amor verdadeiro constrói. Só o amor verdadeiro gera vida.

O perfume torna visível essa verdade:
o amor se doa por natureza,
se espalha,
não se retém,
difunde alegria.

Mas, para isso, ele precisa ser acolhido.
Jesus acolhe.
Judas rejeita.

E se Maria faz este gesto aparentemente absurdo, é porque sabe que Jesus os ama. Ela responde a esse amor. Surge aqui outra verdade essencial: para que o amor dê frutos, ele precisa ser correspondido.

Um amor não correspondido morre.

Deus nos ama — sabemos disso. Mas seu amor só vive em nós e nos transforma se, como Maria, correspondemos a esse amor. Se, como ela, quebramos nosso vaso e derramamos nosso perfume.

“Onde existe amor, aí está Deus.”

O gesto daquela mulher antecipa o sepultamento de Jesus, mas também anuncia sua ressurreição, pois ela unge um Vivente. Porque o amor, quando correspondido, gera vida. O que Maria faz naquele jantar revela a força criadora do amor quando ele é acolhido.

Ali, diante de todos, inicia-se o caminho da nova criação.

O Evangelho indica que estamos a seis dias da Páscoa. É o início da última semana de Jesus. Na criação, o homem foi criado no sexto dia; na Paixão, a sentença de Jesus será decretada na hora sexta… e, daqui a seis dias, o “vaso quebrado” será o próprio corpo de Cristo, espalhando o amor de Deus à humanidade.

Na nova criação, o serviço ao próximo e o amor a Deus tornam-se a atualização do gesto de Maria.

E nós?
Acolhemos verdadeiramente o amor que Deus nos oferece, para amar e servir?
Ou nos convencemos de que podemos fazer algo melhor, como Judas?

Não nos esqueçamos:
Deus permanece onde existe amor e serviço.
Onde discípulos se amam.
Onde discípulos se doam.

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