Homilia do 25º Domingo do Tempo Comum | Ano C | 2025

Honestidade, fidelidade e audácia no amor.

Meus irmãos e irmãs, neste domingo, a Palavra de Deus nos provoca com uma pergunta essencial: O que estamos fazendo com o tempo, os dons e os bens que Deus nos confiou? Toda a liturgia é uma reflexão sobre a honestidade nas pequenas coisas, a responsabilidade espiritual diante da sociedade, e a sabedoria que deve marcar a vida cristã. Visitemos as leituras de hoje:

Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia com firmeza os que exploram os pobres, manipulam balanças e distorcem os preços. É uma crítica direta à injustiça social, mas também um alerta para nós: a desonestidade não começa nos grandes escândalos, mas nas pequenas atitudes do dia a dia. No troco mal-dado, na palavra que omite, na vantagem que se tira em silêncio. E Deus, através do profeta, recorda que em qualquer situação, Ele sempre defende os mais frágeis, os pequeninos.

A segunda leitura, da carta a Timóteo, nos lembra o dever de rezar pelas autoridades, e isso é um ato bíblico e necessário. Não se trata de apoiar cegamente, mas de interceder para que governem com sabedoria, justiça e paz, comprometidos com o bem comum. A oração transforma o outro, mas também transforma a nós mesmos.

No Evangelho, Jesus nos apresenta a figura do administrador desonesto. E aqui está o ponto que mais nos intriga: Cristo estaria elogiando a corrupção? Claro que não, mas nesta situação o Senhor vai ressaltar a esperteza daquele que se vê na urgência de prestar contas. Ele age com sagacidade diante da crise. Do que fala Jesus então? Ele lamenta que os filhos da luz sejam, muitas vezes, menos ousados que os filhos das trevas. Isso nos provoca: por que somos tão tímidos na hora de amar, de servir, de evangelizar? Por que falta criatividade na caridade, coragem na missão, audácia na generosidade? E o Senhor não nos pede para fazermos grandes coisas nem começar com atos heroicos, mas simplesmente a ser fiel no pouco. Porque quem é fiel nas pequenas coisas será fiel também nas grandes. Isso vale para o dinheiro, para o tempo, para os afetos. Vale para nossas relações interpessoais, para o modo como tratamos os outros, especialmente os mais vulneráveis. Isso vale para a nossa missão na Igreja, que toma forma na missão que temos na nossa paróquia. A fidelidade começa no olhar, no gesto, na escuta. E isso é um combate que nos convida a uma verdadeira conversão.

Se o administrador do evangelho foi capaz de mudar sua vida por medo da demissão, por que nós não mudamos por amor ao Reino? Sejamos ousados em nossa generosidade, corajosos em nossa entrega, criativos em nossa missão. Escolhamos servir a Deus. Não ao dinheiro, não ao ego, não à indiferença. Sirvamos com alegria, com fidelidade, com sagacidade. Que o Espírito Santo nos dê olhos atentos, mãos generosas e corações audaciosos.

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