16 Novembre 2025
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Pe. Emmanuel Albuquerque
Imaginem um lugar tão importante que a sua destruição equivaleria ao anúncio do fim do mundo. Para os ouvintes de Jesus, o anúncio da destruição do Templo é exatamente isso: o prelúdio de que algo muito ruim vai acontecer. E tudo começa com uma conversa despretensiosa. Alguns admiravam a beleza do Templo, e Jesus os traz à realidade: “Vós admirais essas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.” Inicia-se então um diálogo entre eles e Jesus, cuja única pergunta é: “Quando acontecerá isto e qual vai ser o sinal...?” E por quê? Porque o ser humano tem medo do fim. Porque sempre queremos antecipar as coisas, controlar para não sermos pegos de surpresa.
Jesus não satisfaz a ânsia de curiosidade daquelas pessoas sobre o futuro. Ele nunca disse quando o fim chegaria. E ainda que esses sinais que ele dá neste evangelho possam nos provocar algum medo ou receio, o que mais impressiona é que ele nos convida à calma, à perseverança, à confiança e, sobretudo, a aprender a viver o agora, o tempo presente que nos é dado.
Todas essas realidades reveladas por Jesus nos colocam diante do fato de que a vida tal qual a conhecemos, um dia termina. Mas esse término não é destruição. Se caminhamos com Cristo, avançamos em direção ao objetivo: o mundo novo. “O ser humano se deixa guiar pelo medo da morte[1]”, mas “Jesus oferece a alternativa de uma vida que se deixa guiar pela confiança no Pai, em uma atitude de amor que já venceu a morte.[2]” Aí está a diferença: com Cristo, o fim é o início de um novo mundo e não a destruição. Não somos fadados ao esquecimento nem ao desaparecimento eterno. Não. Somos feitos para a eternidade. O que Jesus diz aqui, ainda que use uma linguagem de fim dos tempos, é um convite para vivermos intensamente o tempo presente que recebemos. Contemplar aquilo que nos é ofertado sem perder de vista o bem supremo, o essencial: a vida eterna, que começa agora.
Para cada um de nós, isso é um convite para viver uma fé adulta. Tantas vezes nos perdemos com perguntas sobre como será o futuro. Tantas vezes alimentamos o nosso medo com os acontecimentos humanos, políticos e mundiais. Alimentamos ódio, divisão, muitas vezes sem nem saber ao certo por quê. Esquecemos de pensar, refletir, discernir. E o mesmo acontece com a nossa fé: tantas vezes permanecemos estacionados numa fé infantilizada. Crescer na fé, ter uma fé adulta, não significa deixar de sentir. Mas entrar nessa confiança verdadeira e nessa responsabilidade à qual nos convida Paulo. Ou seja, “rezar como se tudo dependesse de Deus e trabalhar como se tudo dependesse de nós.[3]” Não podemos ficar apenas contemplando as pedras do Templo. Precisamos enxergar quem é o fundamento desse Templo e caminhar em sua direção, ouvir sua palavra, fazer sua vontade.
A certeza da finitude não pode nos paralisar por medo. Porque, para nós, a finitude não é o fim. Mas a certeza da finitude deve nos colocar na urgência de viver. E a urgência de viver passa pela perseverança, que nos conduz à esperança. E essa esperança nos faz entrar na dinâmica do Evangelho: viver o agora, deixar-se transformar por Cristo e manter os olhos fixos nele para atravessar a caminhada sabendo que “é permanecendo firmes que iremos ganhar a vida.”