4° DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

“Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los…” Aquele tempo, agora é aqui, é hoje! E Jesus também nos ensina. Ele “se senta” conosco. Ele caminha conosco. Ele se deixa conhecer para que possamos conhecer o seu coração. Mas não podemos simplesmente para no conhecimento. Não podemos somente saber o que o Senhor nos ensina e o que Ele nos pede. Precisamos colocá-lo em prática. Somos bem conscientes de nossas fraquezas (eu espero), de nossos limites, nosso pecado está sempre ali nos lembrando. O Senhor também conhece tudo isso. Ele conhece nossas vulnerabilidades e, no lugar de nos tratar com indiferença, Ele acolhe tudo isso, e não somente acolhe, como nos propõe um caminho de vida, de comunhão, de fraternidade e unidade.

O que recebemos aqui hoje, na liturgia da Palavra, é justamente um chamado a não somente ouvir e conhecer o que o Senhor nos ensina, mas a praticá-lo. Quando Jesus se põe a ensinar seus discípulos, aquilo que parece somente mais um ensinamento, só torna em algo completamente novo. Aqueles que são esquecidos, excluídos, se tornam o meio através do qual o Senhor se revela. E ele convida cada um daqueles presentes naquela multidão a inaugurar uma nova maneira de ver a vida, de ver o outro e de se comportar. O Sermão da Montanha, que é inaugurado pelas bem-aventuranças, é uma reviravolta na história da humanidade que aprende que “aquilo que é frágil no mundo, é aquilo que Deus escolhe para ser sinal da sua presença.”

O “bem-aventurado” que somos chamados a ser não deve ser um álibi para a nossa injustiça. Nem fechar os olhos para os problemas. “Numa sociedade de raivosos, de violência continua, de intolerância, de gente arrogante, nosso mestre nos apresentou hoje sua proposta, tão diferente daquilo” que o mundo nos propõe. E sabemos, se somos sinceros conosco mesmos, quantas vezes somos raivosos, violentos, intolerantes, arrogantes... quantas vezes nos deixamos dominar por tudo isso, justificando que é sempre culpa do outro. E esquecemos que nosso Senhor, nos chama a viver algo novo; a testemunhar algo novo, num mundo tão apegado à riqueza, ao poder e à mesquinharia.  Esse algo novo é justamente cada uma dessas “bem-aventuranças”. Porque cada uma delas nos leva à montanha na qual o Senhor se entrega para cada um de nós.

Concretamente, o que isso significa? Primeiramente, podemos nos perguntar se nos entregamos realmente ao Senhor. E, sobretudo, tudo isso significa que fazer a “escolha do Evangelho,” não é algo que podemos esquecer, em nenhum momento. E o que o Evangelho escolhe primeiramente e nos convoca a escolher é o amor. O amor concreto “demonstrado com os fatos que se concretiza na partilha.” Jesus nos convida a uma verdadeira fraternidade, comunhão e unidade. O que escolhemos realmente? Hoje o Senhor olha para cada um de nós e nos diz: “bem-aventurado...” mas cabe a nós querer entrar na escola das “bem-aventuranças”.

Sf 2, 3; 3, 12-13; Sl 145 (146); 1Cor 1, 26-31; Mt 5, 1-12

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