Homilia do 23° domingo do Tempo Comum | Ano C | 2025

Jesus estaria nos proibindo de amar aqueles que fazem parte da nossa vida? Poderíamos pensar isto meditando este evangelho.

Imaginemos Jesus que se vê rodeado de pessoas que desejam segui-lo, imitá-lo, ou ao menos, pessoas que se deixam tocar por suas palavras. Neste episódio que nos é relatado, estamos no contexto da subida de Jesus para Jerusalém. As coisas começam a ficar mais sérias, o tom começa a subir. E “grandes multidões acompanhavam Jesus.” É neste contexto então que Ele dará as instruções do que significa segui-lo e de como segui-lo! Voltemos à nossa questão inicial: Jesus estaria nos proibindo de amar aqueles que fazem parte da nossa vida? Claro que não! Sabemos que toda fala de Jesus, todo mandamento que Ele nos dá concretiza-se no ato de amar ao próximo. Mas então, o que Jesus quer dizer quando nos fala: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo”? Ele quer nos dizer que a única maneira de amar verdadeiramente, de se doar verdadeiramente é quando nosso amor por Ele está em primeiro lugar. Ele está nos dizendo que quando Ele, Jesus, está no centro da nossa vida, todo o resto fica em seu devido lugar, nem mais, nem menos, mas em seu devido lugar. Então, o que podemos nos perguntar é: Jesus está no primeiro lugar em nossa vida? Minha relação com Ele é uma prioridade? Sabemos que temos nossos limites, que temos nossas fragilidades. Mas o Senhor também sabe. E ainda assim Ele nos pede para escolhê-lo, Ele nos pede para colocá-lo no primeiro lugar. E por quê? Porque somente Ele pode nos ensinar o que é o verdadeiro ato de amar: doar-se e entregar-se até o fim! E Ele nos ensina porque Ele o fez, concretamente!

Amar Jesus e deixá-lo ser a prioridade em nossa vida é aprender a amar de maneira nova, pois o amor que somos chamados a viver não é um amor que depende de nossos sentimentos nem de nossa maneira de ver ou acolher o mundo e as pessoas, nem tão pouco, da maneira como o mundo ou os outros nos veem, mas o amor que somos chamados a viver é este amor que, enraizado em Cristo, acolhe, levanta e sustenta aquele que precisa. Isto significa carregar sua cruz.

Quando Jesus diz às grandes multidões essa palavra forte: “quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”, nessa palavra de Jesus duas coisas são essenciais: carregar a cruz e caminhar atrás dele. Os dois são necessários porque Jesus nos recorda que Ele é o modelo, Ele nos recorda que Ele dá o sentido profundo àquilo tudo que podemos atravessar e viver. Somente assim nosso ato de amar se torna fecundo e responsável. Como nos mostra Paulo na segunda leitura: o amor por Cristo o fez amar Onésimo como um irmão, e cuidar dele mesmo estando preso!

Irmãos e irmãs, renunciar a tudo para ser discípulo de Jesus não significa perder, jamais! Porque quem segue o Cristo não perde nada, ao contrário, ganha tudo, porque ganha a verdadeira vida! Renunciar a tudo para ser discípulo de Jesus é tê-lo como o mais importante. É colocá-lo no primeiro lugar da nossa vida! E assim fazendo, cada um de nós encontra a justa maneira de amar, cada um de nós encontra o verdadeiro sentido da vida: doar-se inteiramente aos irmãos, com os olhos fixados em Jesus!

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