Festa da dedicação da Basílica do Latrão • Ano C | 2025

Pe. Emmanuel Albuquerque

Por que celebramos a festa da dedicação de uma igreja que está tão longe de nós? Em que isso é importante? A Basílica do Latrão não é qualquer igreja: ela é a “mãe de todas as igrejas”, a catedral do Papa, o bispo de Roma. Celebramos mais do que um edifício sagrado; essa festa é um convite para contemplarmos o mistério da Igreja como templo vivo de Deus.

Além disso, essa celebração recorda a unidade da Igreja ao redor do sucessor de Pedro e a sua missão de ser casa de Deus no mundo. Quem quer que sejamos, onde quer que estejamos, seja qual for a nossa língua, cultura ou país, se somos membros da Igreja, pertencemos a uma só e mesma casa, a um só e mesmo povo. Num mundo tão dividido e polarizado, essa festa se torna um sinal de que a verdadeira unidade é fonte de comunhão, de vida e de esperança.

Mas é preciso olhar além das paredes e das pedras. A dedicação de uma igreja é também o recordo de que a Igreja é o mistério do Templo vivo de Deus, e que cada um de nós é uma pedra viva, chamada a ser sinal visível dessa presença e dessa unidade. Isso só é possível se Cristo for o alicerce do templo que somos, como nos recorda São Paulo na segunda leitura: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo.”

Ser templo de Deus tem uma dimensão pessoal e comunitária. Pessoal, porque cada um é chamado a deixar-se habitar por Deus, a crescer na intimidade com Cristo pela oração, pela escuta da Palavra e pela vida sacramental. Não basta apenas frequentar o templo: é preciso deixar que o coração se torne morada do Espírito. E comunitária, porque esse templo não é feito de pedras isoladas, mas de pedras vivas unidas entre si. Ser Igreja é viver em comunhão, testemunhar a unidade que nasce do amor de Cristo, construir juntos um espaço onde Deus é reconhecido e amado.

O Evangelho de hoje nos mostra Jesus purificando o Templo, expulsando o que o desfigurava. Essa cena nos provoca a olhar para dentro de nós e perguntar: como temos tratado o Templo de Deus que somos? Quantas vezes o corrompemos com atitudes egoístas, com a falta de caridade, com a indiferença diante dos irmãos! Às vezes, até a nossa relação com a Igreja se torna utilitarista: buscamos dela o que nos convém, mas esquecemos que ser Igreja é também compromisso, serviço e missão.

Jesus quer purificar o templo do nosso coração, restaurar em nós a beleza da sua presença. Essa purificação acontece quando nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, quando renovamos o nosso amor, a nossa fé e o nosso compromisso com o Evangelho.

Celebrar a dedicação da Basílica do Latrão, portanto, é mais do que recordar um edifício antigo e grandioso: é renovar o nosso ser Igreja viva, unida, fiel a Cristo e aberta ao mundo. Que cada comunidade, cada família e cada coração seja um templo onde Deus habita e de onde irradia a sua luz. Que o Senhor nos conceda a graça de sermos pedras vivas na construção do seu Reino, templos santos, firmados sobre o amor de Cristo, para que, através de nosso testemunho de unidade, serviço, caridade e missão, o mundo possa encontrar o rosto de Deus, que é comunhão, amor e esperança.

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