Homilia do 4° domingo do Advento | Ano A - "Acolhe, o Senhor vem ao nosso encontro."

Toda a nossa caminhada do Advento é uma preparação para o encontro com o Senhor que se oferece a cada um de nós. Domingo após domingo, fomos sendo educados pela Palavra e pela liturgia. Fomos convidados a vigiar, a despertar; a nos colocar a caminho, deixando-nos transformar pela conversão; a entrar na alegria da fé, que nasce da certeza de que o Salvador vem ao nosso encontro.

Hoje, no quarto domingo do Advento, a liturgia nos convida a contemplar a figura de José, homem justo.

São José diante do inesperado

José se depara com uma realidade que foge daquilo que ele havia planejado. Poderíamos dizer que, naquele momento, seu sonho desmoronou. O projeto de vida que ele havia construído com Maria não se realiza como ele imaginava. Diante disso, aparecem a resistência, a dúvida, o silêncio.

José vive aquilo que nós também vivemos quando somos confrontados com o inesperado, com aquilo que não foi planejado. E, diante dessa realidade, a primeira coisa que ele ouve da parte de Deus é: “não tenhas medo.” Também a nós, face àquilo que nos paralisa, Deus nos encoraja com a mesma palavra.

Confiar é uma escolha

O Evangelho nos mostra uma certa resistência de José, a ponto de querer abandonar Maria. Mas vemos também algo decisivo em sua atitude: José não se fechou. Ele fez uma escolha: confiar.

Ele não confiou porque não tinha vontade própria. Ele decidiu confiar em Deus. O chamado de Deus solicita nossa liberdade e nossa responsabilidade. Deus não o forçou; confiou-lhe uma missão. E José respondeu.

Da mesma forma, também nós somos chamados a ser discípulos de Cristo, a exalar o seu perfume no mundo. Esse chamado não nos tira a liberdade; ao contrário, quando respondemos, percebemos que ele faz crescer a nossa fé, entendida como ato de confiança.

Da fé de conveniência à fé profunda

José entendeu isso. Embora ele tenha tido “apenas um sonho”, sua fé não era uma fé de conveniência, que funciona somente quando tudo vai bem. Era uma fé profunda, enraizada, capaz de discernir entre aquilo que ele queria e aquilo que o projeto de Deus precisava.

Naquele momento, Deus precisava de José.

Hoje somos convidados a olhar para a nossa própria vivência de fé:

O que nos estimula a crer?
O que nos sustenta quando nossos projetos não se realizam como esperávamos?

Somos tentados a pensar que Deus se afastou, quando, na verdade, somos nós que somos chamados a olhar a realidade com os olhos da fé. A fé não elimina os conflitos, mas nos oferece um modo novo de atravessá-los.

Deus fala no cotidiano

Somos sempre tentados a pedir sinais claros, quase incontestáveis, para tomar decisões ou avançar em nossos projetos. Esquecemos que Deus se manifesta também — e muitas vezes sobretudo — nas coisas simples do cotidiano.

Se outrora José teve uma aparição do anjo em sonho, hoje nós temos a Palavra de Deus, os sacramentos, a vida da Igreja e os irmãos que caminham conosco.

Como tudo isso alimenta a nossa fé?

Emanuel: Deus está conosco

O nome do Filho que nasce é Emanuel: Deus está conosco. Isso não significa ausência de dificuldades, mas presença fiel.

Deus caminha conosco, sustenta nossas escolhas e ilumina nossos passos, mesmo quando não compreendemos tudo. Sua presença se revela nos pequenos gestos, nas decisões silenciosas, no dia a dia.

Preparar o Natal hoje

Ao final desta caminhada do Advento, compreendemos que preparar o Natal não é apenas recordar um acontecimento do passado, mas abrir espaço para Deus agir hoje em nossa história.

É uma esperança que não ignora as dificuldades da vida, mas busca reconhecer a presença de Deus em cada circunstância — nas mais alegres e também nas mais dolorosas. Muitas vezes, essa presença será silenciosa, como a de um amigo que simplesmente caminha ao nosso lado.

Uma esperança que nasce da confiança

Como guardar a esperança quando o caminho se torna mais difícil?

A esperança cristã nasce da confiança de que Deus continua agindo, mesmo no silêncio.

Que São José nos ensine:

  • a confiar, mesmo quando nossos sonhos desmoronam;

  • a discernir entre o que queremos e o que Deus nos confia;

  • a manter a esperança, mesmo quando tudo parece sair dos trilhos;

  • e a acolher Emanuel, o Deus que vem e permanece conosco.

“Ele está no meio de nós.”

Pe. Emmanuel Albuquerque

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