HOMILIA DO 5° DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

O evangelho que recebemos hoje é e a continuação do que contemplamos domingo passado, as “bem-aventuranças”. Depois de proclamar quem são os bem-aventurados no reino dos céus, Jesus nos indica como isso se concretiza em nossa vida de discípulo: sendo “sal da terra” e “luz do mundo.”

Parece-nos fácil entender tudo isso. Mas se olhamos nossa vida cotidiana, nossas escolhas, nossas palavras e ações, e se somos honestos, percebemos o quanto é difícil ser “sal da terra” e “luz do mundo”. O que isso significa? É Jesus quem nos explica: o sal dá o gosto, conserva. A luz permite ver e enxergar. Como, concretamente, nós devemos ser, para os outros, sal e luz? “Vivendo intensamente nossa experiência cristã, comunicando aos outros a luz, a alegria, a capacidade de amar que a presença de Jesus nos dá.” (R. CANTALAMESSA) E é justamente aí que podemos entender que tudo passa pela nossa experiência pessoal com Cristo e se enraíza nela, e se manifesta em nosso testemunho vivido em atos concretos. Jesus é a Luz do mundo, a “luz que brilhou nas trevas”, Ele é aquele que dá sentido (sabor) à nossa vida. A partir da

í entendemos que somente através de nosso encontro pessoal com Ele, Sal e Luz, podemos então ser, por nossa vez, “sal da terra e luz do mundo”. E como viver isso?

Jesus também nos responde e a primeira leitura ilustra tudo isso: vivemos isso através de nossas boas obras. “Repartir o pão com o faminto (...) acolher o pobre (...) deixar de lado a linguagem maldosa (...)” vendo tudo isso, o “mundo” será testemunha de nossa transformação através de nosso encontro pessoal com o Cristo. E que “mundo” é essa? “Ele é antes de tudo aquele que nos cerca, nosso pequeno mundo cotidiano: a família, o ambiente de trabalho” (R. CANTALAMESSA), nossa comunidade... como temos sido, cada um de nós, discípulos de Jesus? Somos aqueles que acusam, que destroem, que talvez, em nome de uma fé inventada por nós mesmos, separamos e dividimos ou somos testemunhas da força transformadora da presença de Cristo em nossas vidas?

Meus irmãos, somos tantas vezes vencidos pelo nosso orgulho, pela nossa arrogância. Tantas vezes nos deixamos levar pelas ideologias e assim fazendo, tornamos nossa fé insípida. Pisoteamos o “sal” que nos foi confiado e deixamos o mundo sem sabor. Quando esquecemos quem somos, nossa presença não ilumina. A nossa missão é ser sal da terra e luz do mundo. Isso não significa fazer coisas extraordinárias, mas na simplicidade do nosso cotidiano, testemunhar concretamente da presença de Cristo.  Ser sal é seguir o que ouvimos nas bem-aventuranças. Ser luz é aprender a não espalhar a escuridão através do julgamento rápido, da divisão, da fofoca, é aprender a não viver de palavras duras dentro de casa. Olhemos hoje nossa caminhada de discípulos e perguntemo-nos sinceramente: quem se aproxima de mim sai com mais esperança ou com mais peso? Minha fé ilumina ou cansa? Dá sabor à vida dos outros ou apenas confirma minhas próprias certezas e estreitezas? Como estou sendo “sal da terra” e “luz do mundo”? Seja qual for a resposta, confiemos ao Senhor na Eucaristia aquilo que vivemos e deixemo-nos tocar por ele e transformarmos pelo seu amor. Ele renova em nós o chamado e nos dá a força que precisamos para ser “sal da terra” e “luz do mundo”

Daqui a pouco voltaremos ao nosso pequeno mundo: nossa casa, nosso trabalho, nossas relações. É lá, e somente lá, que o Evangelho será acreditado ou não. Não pelas palavras que dizemos, mas pelo testemunho que damos como discípulos, ainda que enfrentemos nossos combates e fragilidades. Mas é a força do nosso encontro pessoal com Cristo que nos transforma e nos impulsiona, que nos permite ser “sal da terra” e “luz do mundo” e assim, dar sabor e iluminar a vida daqueles que nos rodeiam.

 

Is 58, 7-10; Sl 111 (112); ICor 2, 1-5; Mt 5, 13-16

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