HOMILIA DO 6° DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

Há algumas semanas, Jesus nos levou à montanha para nos introduzir em uma nova lógica de percepção do mundo e das relações. Primeiro ele nos mostrou que são os “herdeiros do Reino” com as bem-aventuranças, em seguida, ele nos ensinou de que maneira, como discípulos, podemos “aplicar” concretamente este convite das bem-aventuranças: sendo “sal da terra e luz do mundo” no nosso dia a dia. E agora subimos mais um degrau: quais são as nossas verdadeiras escolhas?

Toda a liturgia deste domingo pode se resumir em 3 palavras: escolha, justiça e responsabilidade. O que isso quer dizer? Na primeira leitura somos chamados a refletir sobre aquilo que escolhemos. Deus nos criou “profundamente bons” e plenamente livres. Ele não criou o mal. O mal é introduzido no mundo a partir do momento em que o homem começa a desconfiar de Deus, quando o ser humano se deixa seduzir pelo desejo de poder e grandeza. A partir daí, quando entendemos que somos livres, compreendemos que essa liberdade consiste em escolher: escolher o bem ou o mal; a vida ou a morte.

Quando Jesus afirma, no evangelho, que ele não veio para abolir a Lei e nem os profetas, mas “dar-lhes pleno cumprimento”, ele nos coloca diante de uma realidade completamente nova: ele desloca o nosso olhar de algo que é simplesmente legalista e nos faz entrar na “justiça do coração.” Essa justiça nasce da sabedoria de Deus que habita o coração de cada um de nós, mas que muitas vezes é enterrada por causa de nosso “desejo de grandeza e de poder”.

Quando Jesus retoma a Lei de Moises, ele não joga fora o que já foi realizado pelos profetas, nem aquilo que está na Lei, mas ele leva para uma etapa superior: ele faz entrar toda a realidade humana na lógica do amor. Ele leva para as relações humanas aquilo que antes ficava somente no “dever” de uma relação com Deus. Jesus traz a responsabilidade para nosso dia a dia.

Assim, cada um é chamado a responsabilizar-se por suas escolhas. E a novidade de Jesus é que a escolha agora não é somente do ponto de vista da lei: segundo o que é permitido e proibido, e que está exterior a nós pois é somente uma ordem que recebemos. Em Jesus a escolha é do ponto de vista da relação, a mais profunda: a que leva para vida (ou a que leva para a morte), e que nasce da sabedoria do coração.

Desta maneira, cada ponto retomado por Jesus no evangelho toca intimamente aquilo que vivemos uns com os outros: o respeito, a necessidade de perdão, o cuidado com as palavras, a reconciliação... Se antes, cada um seguia o que era dito porque era “obrigado”, agora, cada um é chamado a seguir, porque escolhe, livremente. Mas escolher o que?

O convite que nos é feito é de sempre escolher a vida, sempre escolher aquilo que engrandece. Sempre escolher o caminho do perdão, da fraternidade e da paz. Cada escolha nossa nos torna responsável porque ela pode criar a relação ou matá-la. Algumas escolhas que fazemos necessitam de perseverança: se escolhemos o bem temos que perseverar no bem. Outras escolhas, exigem que mudemos de direção: se escolhemos o mal, podemos sempre tomar um novo rumo, e mudar. Qual é a sua escolha de hoje?

A escolha justa é aquela que gera vida, e na dinâmica da vida, nos tornamos responsáveis. Somos responsáveis por nossos gestos, palavras e atitudes. Diante de nós “estão a vida e morte, o bem e o mal; cada um receberá aquilo que preferir.” Ninguém pode fazer o bem no meu lugar! Assim como ninguém pode fazer o mal.

Que o nosso “sim” seja “sim” porque decidimos escolher a vida; e que o nosso “não” seja “não” porque, escolhendo a vida, entramos na força transformadora do amor. Porque aquilo que define o que somos são as pequenas escolhas decididas no dia a dia, à luz de Cristo, nosso mestre.

Eclo 15, 16-21; Sl 118(119); ICor 2, 6-10; Mt 5, 17-37

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