1 Mars 2026
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Gn 12, 1-4ª | Sl 32 (33) | 2Tm 1, 8b-10 | Mt 17, 1-9
“sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar.”
Depois desta ordem, o resto é promessa. E não há nada mais incerto do que uma promessa: eu prometo fazer isso ou aquilo... pode ser que alguns dias depois, a promessa não seja mais cumprida. Mas qual era a promessa de Deus?
“Farei de ti um grande povo e te abençoarei...”
O nascimento da vocação de Abraão não era uma realização pessoal, mas algo que vai além dele. No mundo bíblico “nenhuma vocação é voltada para o interesse pessoal e egoísta daquele que é chamado. Uma vocação autêntica nasce sempre para uma missão a serviço dos outros.” E a vocação de Abraão vai além dele mesmo, nela, Deus abençoara “todas as famílias da terra.” Nossa fé nasce ali.
O próprio da fé é nos colocar em movimento.
É nos deslocar, nos tirar de nossa zona de conforto. A fé nos põe em caminhada. E nesta caminhada temos apenas a certeza de uma promessa: promessa da vida eterna. Promessa que não é mais uma simples hipótese porque o Cristo não somente “destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho.”
Mas o que essa história de Abraão tem a ver conosco, hoje? Nossa caminhada quaresmal também é um ato de fé. Nela também saímos de nós mesmos para buscarmos aquilo que Deus nos propõe. O mistério do chamado de Deus continua fazendo a sua obra ainda hoje. E cabe a nós escolher: ficar parados, somente recebendo ou nos pôr a caminho. É esse paradoxo que contemplamos no Evangelho da Transfiguração: Ficar ou partir.
Quando Jesus chama Pedro, Tiago e João e se revela diante deles, Ele se mostra tal qual é para que seus discípulos contemplem, de certa forma, a glória, antes da cruz.
“Senhor, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas.”
Ele expressa uma tentação que cada um de nós pode enfrentar: a tentação do “entre si”. A tentação de separar a experiência de fé da missão. Fazer tendas significa fixar-se. Nossa fé, é caminhada.
Quantas vezes também nós queremos fazer nossas tendas… queremos uma fé que nos console, mas que não nos comprometa. Queremos uma Igreja que nos acolha, mas que não nos envie. Queremos momentos fortes nos quais experimentamos a presença do Senhor, mas resistimos ao cotidiano exigente da caridade.
O Senhor, ao mesmo tempo que nos conduz à montanha, nos envia para à missão. A montanha é o lugar do encontro, da revelação, que nos introduz na intimidade com o Senhor. O cotidiano, é o lugar do testemunho.
Na montanha descobrimos Quem é Aquele que seguimos. E recebemos uma ordem:
“Escutai-o.”
Nossa caminhada não é aleatória. Seguimos a voz daquele que se entregou para que cada um de nós entrássemos na vida.
Escutemos o Filho amado, desçamos com Ele da montanha e façamos da nossa vida um verdadeiro dom.