3 Août 2025
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Peregrinos porque chamados.
Se devêssemos resumir a liturgia da palavra de hoje com uma só frase tirada de uma das leituras, poderíamos escolher a abertura da primeira leitura: “vaidade das vaidades... tudo é vaidade.” Mas o que é a vaidade? Quando verificamos o significado da palavra, em sua raiz, “vaidade” significa literalmente “vazio”. Assim, qualquer coisa que busquemos que não seja ligada à vontade de Deus; qualquer coisa que façamos que não seja orientada para Deus, é vaidade, é vazia! Não tem sentido.
A questão central de hoje é: o que realmente dá sentido à nossa vida? E de fato, por vezes deixamos de lado os valores eternos e nos apegamos aos valores passageiros. A vaidade se torna, então, sinônimo de idolatria: colocar algo no lugar de Deus. Poderíamos dizer isso de outra maneira: por que tudo é vaidade? Porque tudo passa! E só Deus permanece! É justamente isso que Jesus vai mostrar na parábola. Ele não nos proíbe de ter aquilo que necessitamos para nossa vida e para um certo conforto. Ele critica a insensatez daquele que acumula riquezas por acumular; ele nos alerta quanto a ganância, ele nos alerta quanto ao fato de querer ter, sem compartilhar. De querer mais, e não olhar o irmão que precisa. E ele o faz nos lembrando a brevidade da vida na terra. O quanto ela é passageira.
Na parábola apresentada por Jesus para responder ao pedido de uma pessoa da multidão, temos uma bela reflexão sobre o que escolhemos realmente e como consideramos Deus. Quem é ele para nós? Como é a nossa relação com ele? Quando observamos o que é pedido a Jesus “mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”, antes mesmo de ir para o que Jesus responderá, podemos nos questionar como consideramos Deus. Aqui, nesta questão, a pessoa quer que Jesus decida em seu lugar, que ele intervenha para resolver a sua vida. Ora, Jesus não é um “fazedor de milagres” de acordo com nossas vontades. Ele chama a nossa responsabilidade. Ele deseja que nos engajemos verdadeiramente, livremente e que exerçamos nossa capacidade a escolher! Assim, entramos numa relação verdadeiramente recíproca, na qual nossa vontade, como capacidade a escolher, é solicitada. E aqui está o despertar de um chamado, de uma vocação: Deus não quer que façamos as coisas sem pensar, sem discernir. É necessário entrar neste diálogo no qual Deus permanece Deus, e cada um de nós permanece seus filhos.
Quando afirmamos que tudo é vaidade dizemos que tudo, absolutamente tudo, passa. E que só Deus permanece. Assim, percebemos que o que o Senhor deseja é que possamos escolhê-lo. Deus não se compra, a eternidade não se compra. Deus se escolhe. A eternidade se escolhe. E como? Colocando Deus no centro da nossa vida. No coração daquilo que vivemos e fazemos. Só assim poderemos ouvir o seu chamado. Só assim poderemos avançar como um povo da Esperança que vive a unidade na diversidade. Um povo que sabe que cada um tem o seu lugar, pelo simples e maravilhoso fato que cada um é chamado! E quando respondemos ao chamado de Deus entendemos que a verdadeira riqueza não está naquilo que acumulamos, mas naquilo que compartilhamos.