Solenidade da Epifania do Senhor | Ano A

Quantos são e quem são esses magos? O evangelho não especifica. A tradição dá o número de 3, entre outras coisas, por causa do número de presentes ofertados: o ouro reconhece a realeza do Menino; o incenso confessa sua divindade e a mirra anuncia que Deus assume nossa humanidade até o fim. Mas o importante aqui é sobretudo o fato de que Deus se manifesta a toda a humanidade. Não somente a um grupo específico. Ele é a “luz das nações” que ilumina o coração daquele que busca. A Epifania é isso: Deus não se esconde, Ele se deixa encontrar por quem se põe a caminho.

Para os magos, vindos do Oriente, esse caminho começou pela contemplação, e continua com uma pergunta: “onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” José, homem justo e simples, sabe. Os pastores, sabem. Maria, a escolhida para ser a mãe do Salvador, também sabe. Mas o aparentemente mais poderoso ali, Herodes, não sabia! Não sabia porque seu coração, cheio de soberba, só tinha espaço para o poder da dominação. Um coração cheio de si não reconhece a presença de Deus, porque já não tem espaço para acolher. E um coração assim não entende que “achar e encontrar o Deus conosco, Aquele que nos salva de nossos fracassos” é a única maneira de encontrar a verdadeira felicidade. Todos sabiam disso, menos Herodes, e ele decide destruir ao invés de procurar. Contrariamente àquilo que fazem os magos: eles buscam.

Essa busca nasceu do coração inquieto deles para entender aquilo que viam, interpretar aquilo que sentiam. Eles então decidiram arriscar o desconhecido. Dar o primeiro passo para trilhar um caminho novo. Quem não aceita sair de suas seguranças jamais reconhecerá os sinais de Deus. E eles nos deixaram uma herança valiosa: um itinerário espiritual.

Tudo nasce da contemplação, da oração, da intimidade com Deus. Depois, as experiências se enraízam e ganham força através da Palavra, da Escritura, que faz nascer a alegria do encontro, porque reconhecemos ali a presença de Deus. Essa alegria gera adoração, e a adoração produz o dom de si. Encontrar Deus nunca é um fim em si mesmo; é sempre um envio. Não é isso o que os magos vivem? A contemplação do céu para sair de si; a certeza de que estão no caminho certo, pela explicação das Escrituras; a alegria do encontro com o Menino-Deus e, enfim, o dom daquilo que são, pelos presentes ofertados?

E em tudo isso, o mais importante é o caminho! Saber somente não basta. É necessário caminhar, com seus altos e baixos; é necessário afrontar nossos medos e dúvidas, entender nossos sonhos e desejos, porque Deus se revela aos que o procuram. A caminhada ao encontro do Cristo nos faz entrar na comunhão (ouro), a viver a fraternidade (incenso) e a concretizar este encontro pela caridade, o dom verdadeiro de cada um de nós para com nossos irmãos e irmãs (mirra). O sinal de que encontramos a Luz do mundo é o fato de nos doarmos e fazer de nossa vida uma “epifania”, uma manifestação da presença de Deus.

O Evangelho se termina dizendo que os magos voltaram por outro caminho. Quem encontra verdadeiramente o Cristo é transformado. Muitas vezes precisamos mudar a rota. E tudo o que foi vivido antes se torna aprendizado para escolher o que realmente importa: Jesus, e entregar-lhe nossos maiores presentes: nosso coração, nossa vida, nossas experiências. Quem encontra o Cristo não volta igual: volta diferente, volta transformado. A Epifania nos recorda que a fé é caminho, é busca, é encontro, é transformação. Deus continua se manifestando. A pergunta permanece aberta: onde Ele está hoje para mim? A Epifania nos lembra: Deus se deixa encontrar por quem tem coragem de caminhar. Então, caminhe!

Is 60, 1-6; Sl 71; Ef 3, 2-3a.5-6; Mt 2, 1-12

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