1 Janvier 2026
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No primeiro dia deste novo ano, ainda é o grande acontecimento do nascimento do Senhor que o Evangelho nos partilha. Depois de receber a notícia de que o Salvador havia nascido, os pastores vão verificar aquilo que foi anunciado, e contemplam tudo como “os anjos haviam dito.” Eles contemplam o Verbo da vida, o menino-Deus que veio para nos salvar. Eles, os pastores, são os primeiros adoradores após o nascimento. Deus se manifesta primeiramente aos pequeninos, aos mais pobres, e com a sua simples presença, renova suas esperanças. “Os pastores voltaram” para seus afazeres “glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido...” para nós, é como um convite: iniciar um novo ciclo contemplando Aquele que se entrega, aquele que pode restaurar nossa esperança. Recolocar Jesus no coração daquilo que vivemos.
No momento do encontro, embora estejam ali Maria e José, é o Cristo que é o centro de tudo. E em tudo o que é dito e testemunhado, Maria guarda tudo em silêncio e medita em seu coração. Ela não se apressa em explicar, nem em contar sua versão. Ela contempla em silêncio, e o silêncio de Maria não é vazio, é fecundo. É um silêncio que acolhe, que confia, que deixa Deus agir. Talvez este novo ano nos peça exatamente isso para cada um de nós: menos barulho interior, mais escuta, mais contemplação para que o nosso coração esteja voltado para Cristo, deixando que Ele seja o critério, o centro, a medida de tudo.
E como podemos saber que o Cristo é o centro? Uma das maneiras, é observando como vemos a vida, como olhamos para ela. É saber prestar atenção não apenas ao que fazemos, mas ao modo como falamos da vida e a partir de que olhar a interpretamos. Palavras que geram vida, ou palavras que a destroem? No evangelho, os pastores louvaram e glorificaram o Senhor por tudo o que viram. A primeira leitura nos convida, de outra forma, a entrar neste louvor quando Deus ensina para Aarão o modo de abençoar o povo. A palavra abençoar significa “dizer bem”, abençoar é, portanto, pronunciar uma palavra que gera vida, que coloca a pessoa sob o olhar de Deus. Sabemos que estar sob o olhar de Deus não significa recusar-se a ver aquilo que não está bom, mas aprender a olhar toda e qualquer realidade com os olhos do crente, daquele que entende que Deus nunca deixa seus filhos perecerem.
Quando os pastores encontram tudo como os anjos haviam dito, eles entendem que Deus cumpriu sua promessa, talvez não como eles imaginavam. E isso é profundamente consolador: embora tantas coisas não saiam como planejamos em nossa vida, Deus permanece fiel. Talvez nem sempre do modo que imaginamos, nem no tempo que gostaríamos, mas Ele sempre cumpre sua promessa, e sua promessa é sempre “mais vida”! Os pastores encontram uma criança, frágil, deitada numa manjedoura. E ali encontram Deus que salva. Um Deus próximo, acessível e frágil que nos convida a contemplá-lo, nos aproximar e ofertar nossas próprias fragilidades. Que este novo tempo seja realmente novo.
Que possamos viver sabendo qual é a nossa história, e quem é o centro dela. Quantas vezes deixamos que o nosso coração se encha de queixas, de críticas, de pessimismo, como se tudo dependesse apenas de nós. Se Jesus está no centro daquilo que vivemos, todo o resto encontra seu devido lugar. A bênção abre espaço para a esperança porque ela enche nosso coração de confiança e nos faz contemplar aquilo que é bom. E assim como Deus pronuncia sobre cada um de nós uma palavra que gera vida, que nossas palavras também sejam canais de vida para nossos irmãos e irmãs.
Confiemos este novo ano à intercessão de Maria, Mãe de Deus. Que ela nos ensine a guardar Cristo no coração, a confiar nas promessas de Deus e a caminhar como filhos abençoados. Que “o Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!”
Nm 6, 22-27; Sl 66; Gl 4, 4-7; Lc 2, 16-21